Aquilo que é óbvio... Menos para quem discursa sobre direitos
Atualmente...
Existe uma discussão em
curso sobre dar direitos trabalhistas aos motoristas de Uber e entregadores de
aplicativo, mas nos últimos tempos, o foco tem sido nos motoristas de Uber.
O discurso, bem conhecido de quem acompanha o debate público é o de que os
motoristas têm esse direito, pois prestam o serviço de viagens. Não é a
primeira vez que formuladores de políticas públicas se encontram tão distantes
da realidade e em nome de um discurso bonito, destroem a vida do cidadão comum.
Eu já vi isso antes...
Esta não é a primeira vez
que isso ocorre, e incrivelmente, o discurso não perde sua força, apesar dos
claros malefícios causados por eles. Voltando no tempo, a lei 9.349/96 garantiu
o “direito” a meia entrada para estudantes ao cinema, teatro e etc. O efeito
imediato? Todos os estabelecimentos dobraram seus preços e então os estudantes estavam,
na verdade, pagando a metade do dobro.
Outra
lei aprovada no sentido de conceder “direitos” foi a PEC das domésticas (PEC 66
de 2012) e hoje, dez anos após a aprovação da PEC o número de carteiras
assinadas é menor do que o de antes da PEC ser aprovada. E antes que tratemos
de “Isso é por causa da pandemia” ou “É por causa da crise”, os números mostram
queda quase constante após aprovação da PEC o que invalida ambos os argumentos
acima.
A verdade, nua e crua
como poucos gostam...
Ceder
direitos a uma parcela específica da população em relação a serviços dobrou o
custo de tais serviços, bem como ceder direitos a classes de trabalhadores acabou
com empregos e estamos prestes a ver o mesmo erro ser cometido novamente na
questão do Uber.
É
claro que ninguém quer que uma pessoa formada se mate de trabalhar como
motorista por falta de oportunidade na própria área, assim como ninguém quer
ver pessoas trabalhando como entregadores correndo risco de vida, ou
trabalhando em faxinas até se matarem, sem poder ter alguma segurança e lazer,
mas o caminho tomado até hoje, se prova mais prejudicial do que benéfico.
O
discurso sobre direitos, sempre deixa de lado que para cada direito, existe uma
obrigação. E ignorar a obrigação que os direitos geram, significa ignorar os
impactos que as decisões têm sobre as pessoas que se tornarão responsáveis por
cumprir tais obrigações.
A Resposta é difícil,
logo, desagradável para cacete...
No
final do dia, uma série de mudanças se faz necessária para que o país seja
capaz de gerar empregos e fiscalizar atividades de trabalho de forma que melhor
remunerem as pessoas, gerando um ciclo virtuoso que, não só impede que
trabalhos feitos para se gerar uma renda extra se tornem os trabalhos fixos
principais das pessoas, mas também de forma que abusos sejam impedidos.
O
x da questão é que isso passa por toda uma reformulação de uma série de
políticas públicas, (Reforma tributária, administrativa, fim de supersalários
e... Caceta! Já tem coisa pra burro aqui) mais complexas do que cabem neste
pequeno texto de duas páginas, de forma a melhorar o ambiente de negócios,
ampliar recursos para serem investidos em educação, principalmente na base e em
cursos técnicos e profissionalizantes.
O
discurso sobre direitos é extremamente sedutor... Mas se me permitirem a
linguagem, ele só fode com a vida de quem depende desses trabalhos.
https://oglobo.globo.com/economia/noticia/2023/03/pec-das-domesticas-dez-anos-depois-classe-media-troca-a-empregada-pela-diarista.ghtml
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