A Luta dos Negros no Brasil não começou com a esquerda.

Hoje, uma pauta sequestrada pela esquerda, principalmente pelos progressistas, o movimento abolicionista e os movimentos subsequentes de pauta racial, lutando por direitos para os negros não foi movimentada em seu primórdio pela esquerda política, mas sim pelos conservadores. É importante conhecer a história para saber como chegamos ao debate, como ele é dado hoje.

O Primeiro grande nome a incluir a causa racial no debate político brasileiro, Paula Brito, não era de esquerda. Olhando para os principais abolicionistas, André Rebouças, José do Patrocínio e Luiz Gama eram todos conservadores. O primeiro da lista, inclusive, filho de Antônio Pereira Rebouças que foi conselheiro de D. Pedro II. Abdias Nascimento que iniciou o Teatro Experimental do Negro era do Movimento Integralista (Importante não confundir com o Integralismo de fora do país, uma vez que o Integralismo brasileiro é de caráter Facista). A Frente Negra Brasileira não era de esquerda.

Eu poderia aqui citar uma lista de outras figuras extremamente importantes da causa racial que não eram membros da esquerda Brasileira. No começo do texto, eu disse que a pauta foi sequestrada, pois hoje o debate se dá nas bases marxistas onde existe a inescapável opressão branca, onde a luta de classes é a única solução possível.

          Vemos isso constantemente em debate, principalmente com a frase feita de “racismo estrutural”. Se o racismo realmente fosse parte da estrutura da sociedade, ele estaria presente em sua constituição e suas leis. O Brasil é um país extremamente racista sim! Mas isso não é algo que advém da estrutura da sociedade e sim de sua cultura e moral. A diferença, aqui, é que isso não é um problema inescapável, mas sim algo que se resolve em uma construção de longo prazo, focando a educação e o reforço dos valores morais, principalmente quando falamos de igualdade entre todos os membros da população.

          Uma vez que a maioria da população negra está presente nas favelas e comunidades, é necessário criar mecanismos de apoio que deem a essas pessoas a oportunidade para crescimento, mas não devemos esperar que todos obtenham o mesmo resultado, uma vez que, dado o ambiente onde as oportunidades estão equilibradas, é o esforço individual que definirá o resultado final.

As cotas, enquanto política de equilíbrio de desigualdade falharam miseravelmente. Vemos isso pela quantidade, por exemplo, de pessoas brancas que se utilizaram da cota baseada em autodeclaração para entrar através deste sistema nas universidades. Vemos um outro caso em que isso ocorre que é a cota de mulheres para cargos políticos, onde a grande maioria foi cumprida apenas nominalmente.

               É preciso pensar em estrutura básica, escolas equipadas onde não falte papel higiênico e onde famílias mais necessitadas possam encontrar suporte, através de auxílio como a própria alimentação oferecida pela escola. É preciso pensar em visitas não só a locais culturais, mas a empresas e centros de estudo como cursos técnicos e universidades para que os mais jovens possam desenvolver curiosidade e interesse em se desenvolverem dentro do estudo. Estas são algumas de muitas medidas que precisam ser tomadas se queremos resolver a desigualdade racial e o problema da presença de negros em “lugares mais altos” da sociedade. 

          Em última instância, este texto busca mostrar que o debate racial não nasceu no campo da esquerda e foi surrupiado, sob a visão marxista de luta de classe enquanto a direita, infelizmente, se ausentou do debate e tenta retomar seu espaço, aos trancos e barrancos.

    

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